domingo, 26 de maio de 2013

Linda paisagem!

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sábado, 25 de maio de 2013

Arraiá de arrepiá do Danillo!








Arraiá de arrepiá do Danillo!

sábado, 22 de janeiro de 2011

maquiagem




orquidea+carbono cintilante da contem 1g azul da sephora e branco da mac

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Show de Lançamento do Surf Sessions - CD "Corre pro Mar"



Eu fui e foi mtoooo bom!!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Artigo muito legal

Boletim do NEASIA – CEAM/UnB – No 77 – julho de 2010
Anexo 77 - 02

O PAPEL DO ESQUECIMENTO NA CONSOLIDAÇÃO DA ERA MEIJI JAPONESA

Raphael Romão da Silva Sarmento Mota e Pedro Lara de Arruda*

RESUMO

Este artigo visa analisar as complexas interações mnemônicas no Japão dos
séculos XIX e XX. Para tanto, vale-se de uma retrospectiva histórica, remontando o
período ¨bakufu¨ japonês e a estruturação de hábitos essencialmente agrários. Em
paralelo a essa análise também é retomada a Era Meiji em seus diversos
desdobramentos. São analisados os motivos do abandono da cultura bakufu bem
como sua (re)significação durante a transição para o Japão moderno. Diligencia-se,
portanto, uma reflexão aprofundada acerca do papel da memória na construção da
cultura japonesa contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE: Memória; Japão; Era Meiji; Shogunato; Cultura
*Respectivamente: Graduando do Curso de História da USP e mestrando do Curso de
Relações Internacionais da Jawaharlal Nehru University (JNU), New Delhi, Índia.
Boletim do Neasia no 77 – CEAM – UNB – Anexo 02
Julho de 2010 2



O JAPÃO DO SHOGUNATO

O Japão deste período caracteriza-se por ser um país essencialmente rural;
com sua economia baseada na agricultura e mais tarde no comércio. Suas redes de
interações sociais eram complexas e por vezes belgeras – como nos casos de
sucessão ao trono. A política era edificada sobre um governo militar hereditário sui
generis, denominado Shogunato ou Bakufu.
A criação dessa autarquia japonesa sobreveio no final do século XII, período
no qual os samurais assumiram o poder no país – no ano de 1192. Nesses governos
a administração estatal, que até então era realizada pela aristocracia, passou para
os bushi (samurais). Esses guerreiros, por sua vez, dividiam-se em vários clãs, que
passaram a ser responsáveis pelo governo militar do país.
Ao longo de toda essa era de shogunatos existiram três dinastias bakufu
(famlias de chefes militares): Kamakura, Muromachi e Tokugawa (YAMAMURA,
1990). A despeito de algumas diferenças, as três se edificaram sobre o mesmo
alicerce: o shogun como chefe supremo. Essa estrutura centralizada teve como
consequência a minoração do poder dos imperadores e da aristocracia.
Durante essas administrações militares as complexas relações sociais foram
se modificando. O que antes se edificava somente sobre o imperador e sua nobreza,
adquiriu novos atores como os shoguns, os chefes locais (daimyos), os samurais e
muitas outras ‰classes intermediárias‰. O desmantelamento dessas relações ocorreu
apenas no fim do período Edo japonês – durante a dinastia dos Tokugawa.
Isolado do comércio mundial, os nipônicos viam-se como um arquipélago
auto-suficiente. Não realizavam comércio com nenhum país estrangeiro desde os
problemas com os portugueses ocorridos séculos antes. Mesmo com intensas
pressões externas de países como a Rússia, a Holanda e a Inglaterra o bakufu
japonês não cedeu à abertura dos portos.

Somente após intensas divergências com os Estados Unidos da América é
que se obteve êxito na inclusão do Japão no comércio ultramarino. A abertura dos
portos ocorreu mediante ‰invas€o‰ do Comodoro norte-americano Mattew C. Perry e
sua frota em 1854, adentrando nos portos de Edo – atual Tquio - e forƒando a
aquiesc‡ncia das autoridades japonesas (U.S. NAVY, 1904).
Al‚m das diversas dificuldades no Žmbito geopoltico, o bakufu atravessava
um perodo de graves turbul‡ncias internas. A principal delas era a sucess€o do
d‚cimo terceiro shogun - afinal decidida a favor de Iemochi contra Yoshinobu
(YAMASHIRO, 1986).
O governo de Iemochi foi marcado por lutas intestinas visando Œ restauraƒ€o
do poder do imperador. Diversos cl€s lutaram por representatividade dentro da Corte
de Kyoto e pela extinƒ€o do regime shogunal. Com a morte do d‚cimo quarto
shogun, teve fim tamb‚m o regime militar heredit†rio.
Aps diversas disputas entre cl€s, ao redor do poder e da quest€o portu†ria,
subiu ao trono o imperador Meiji. O pequeno soberano, de apenas 14 anos de idade,
iniciou o governo que seria respons†vel pela modernizaƒ€o japonesa e por sua
inserƒ€o definitiva entre as pot‡ncias mundiais. Teve incio uma das fases mais
brilhantes da histria japonesa (YAMASHIRO, 1986).


A ERA MEIJI
A 3 de janeiro de 1868 proclamou-se oficialmente a Restauraƒ€o Plena da
Monarquia Japonesa (YAMASHIRO, 1986). A partir daquele momento o pas deixou
de ser uma autarquia rural e passou por uma enorme transformaƒ€o poltica,
econŠmica e social que lhe permitiu alcanƒou o status de grande pot‡ncia mundial.
Durante a Era Meiji o imperador e a nobreza, que exerciam somente um
governo de juri, passaram a ter poder de fato. Centralizou-se o poder ao redor do
imperador e aboliu-se o shogunato – regime que vigorou durante cerca de 700 anos
e que s teve uma interrupƒ€o durante a Restauraƒ€o do Kemmu (1333 – 1335).
Como resposta Œ insurreiƒ€o mon†rquica o ex-shogun Yoshinobu Tokugawa
revoltou-se e organizou um contragolpe. Teve incio a guerra civil no Jap€o, que
mobilizou mais de 120 mil rebeldes. A cruenta revolta teve fim com a desist‡ncia por
parte de Yoshinobu e a consequente resignaƒ€o das forƒas rebeldes (JANSEN,
1989).
Em seguida ao fim do embate o governo decidiu pela mudanƒa da capital de
Kyoto para Tkio. Essa mudanƒa teve como objetivo a materializaƒ€o das
transformaƒ„es que tomavam forma no perodo, bem como a ruptura com as antigas
estruturas conservadoras.
Dentre as medidas polticas adotadas pelo imperador Meiji Tenno, visando
essas rupturas, destacam-se a criaƒ€o do Juramento de Cinco Artigos e a aquisiƒ€o
das terras dos antigos daimyos. Ambas as medidas foram respons†veis pelas
maiores transformaƒ„es estruturais da ‚poca. A primeira, o Juramento, tinha como
eixo central a uni€o das classes sociais e o fim da xenofobia. J† a aquisiƒ€o de
terras foi o meio encontrado para concretizar tais artigos.

A partir daquele momento n€o existiam mais impedimentos a quaisquer
cidad€os quanto a escolha de sua profiss€o, ao casamento, a mudanƒa de
resid‡ncia e at‚ mesmo ao uso de sobrenomes (YAMASHIRO, 1986). Tais fatores
foram determinantes para a inserƒ€o do pas das cerejeiras no mercado mundial e
na consolidaƒ€o de sua prpria economia interna.
No Žmbito econŠmico as mudanƒas ganharam forma com a extinƒ€o das
antigas moedas em circulaƒ€o – o ohban, koban e as moedas de cobre (JANSEN,
1989). Todas substitudas pelo yen. Tal mudanƒa permitiu transaƒ„es mais f†ceis
entre as naƒ„es e dentro do prprio pas, solidificando o com‚rcio.
As ind‹strias tiveram seu nascimento tamb‚m nesse perodo. O governo
adotou a poltica de fomento a empresas estatais, principalmente nos setores em
que a iniciativa privada ainda n€o dispunha de recursos para arcar com os
investimentos. Depois de alguns anos entregou-as a iniciativa privada (YAMASHIRO,
1986).
Consonante com esses estmulos o governo criou os minist‚rios do Interior,
da Agricultura e Com‚rcio e da Ind‹stria, os quais ficaram respons†veis pela
consolidaƒ€o do estmulo a industrializaƒ€o e a modernizaƒ€o japoneses e s€o
atualmente as bases do capitalismo no Jap€o.
Tais empresas trouxeram para a terra do Sol Nascente diversos avanƒos
tecnolgicos, exemplificados nos correios, nas companhias de seguros, nos bancos,
nas ferrovias, no cinema, nos lampi„es a g†s, nas vestimentas e nas formas de
comunicaƒ€o (YAMASHIRO, 1986).
Entretanto, toda essa metamorfose nipŠnica teve um alto preƒo. Pr†ticas
culturais milenares, como o confucionismo e o xintosmo, foram taxadas de
obsoletas e antiquadas. Os antigos escritos liter†rios foram paulatinamente
substitudos e tudo aquilo que remetia ao perodo shogun foi negligenciado.

A FUNO DO ESQUECIMENTO DAS MEM‘RIAS

Em funƒ€o desse salto tecnolgico e cultural o Jap€o - num primeiro momento
- abandonou muito de sua cultura milenar. Sucedeu-se uma esp‚cie de avers€o a
tudo aquilo que tivesse ligaƒ€o com o passado, como era o caso das roupas tpicas,
dos cortes de cabelo, dos h†bitos alimentares e at‚ mesmo das resid‡ncias – que
em um primeiro momento migraram para a cidade e depois tiveram seu modo de
construƒ€o totalmente alterado.
Em um breve espaƒo de tempo o povo japon‡s abandonou o haiku – forma de
poesia tradicional – para dedicar-se a Cam„es, Byron, Goethe, Oscar Wilde, Dante e
tantos outros poetas relevantes no mundo ocidental. Sua antiga ‰comunidade
afetiva‰ dissolveu-se num molesto sentimento de (des)identidade.
Tomou forma neste perodo um profundo rompimento com a cultura agr†ria
vigente at‚ ent€o. Foram abandonadas muitas das pr†ticas agrcolas e viveu-se um
grande ‡xodo rural. Essa (re)significaƒ€o implicou em uma s‚rie de omiss„es
culturais que foram respons†veis pela absorƒ€o dos h†bitos tipicamente ocidentais
por parte dos nipŠnicos. A antiga vida campesina foi usurpada. O campon‡s deixou
de se concernir com sua vila e passou a ter como metas a produtividade e o lucro.
Sob esse Žmbito destaca-se a mudanƒa de eixo temporal da sociedade. O
tempo que antes transcorria sobre o kairos, passou ent€o para o khronos. O tempo
da natureza foi abandonado em detrimento ao tempo da m†quina. A pacata vida
camponesa alterou-se e perdeu espaƒo para a vida empresarial.
Sua memria coletiva (HALBWACHS, 1990) foi adaptada a nova concepƒ€o
time is money de raciocinar e agir. Sua memria histrica ganhou uma nova
tessitura; apagando suas lendas e heris. A partir de ent€o s havia interesse nos
novos heris do cinema, mais modernos e civilizados.
Em contrapartida a todos os ‰esquecimentos‰, encontram-se algumas pr†ticas
de recordaƒ€o – como ‚ o caso do retorno da unidade do Estado com a religi€o
xintoísta, conhecida como Sai-sei-itchi, que vigorava no Jap€o antigo, e da
separaƒ€o do xintoísmo do budismo (YAMASHIRO, 1986).

Todavia esse resgate do campo simblico das memrias tardou a ocorrer.
Pode-se inclusive afirmar que a cultura milenar japonesa s foi verdadeiramente
reconhecida com o fim da II Guerra Mundial. A partir de ent€o os orientais passaram
a ponderar a influ‡ncia ocidental, aproveitando-se de suas qualidades – e n€o mais
a absorvendo descomedidamente.
Graƒas aos pontos de contatos entre essas culturas ‚ que se pode apreciar a
maravilhosa concepƒ€o de vida nipŠnica contemporŽnea. Suas memrias –
histrica, coletiva e individual – se mesclam de forma equilibrada com o passado:
vendo-o n€o mais como inimigo antiquado, mas sim como s†bio. A tradiƒ€o voltou a
ter espaƒo na cultura nipŠnica e ‚ hoje uma das guias de sua admir†vel civilizaƒ€o.
Sua cultura constri-se n€o mais sobre alicerces estrangeiros, mas numa incrvel
mescla do tradicional e moderno - que d† como frutos n€o s cerejas, mas tamb‚m
incrveis contribuiƒ„es em todas as †reas do saber.


REFER’NCIAS BIBLIOGR“FICAS
BERGSTEIN, S. “L’historien et la culture politique”. Vingti”me si”cle. Revue
d’histoire, no 35, p.69, 1992.
HALBWACHS, M. A mem„ria coletiva. Editora Revista dos Tribunais, S€o Paulo,
1990. 189 p.
JANSEN, M. B. et al. The cambridge History of Japan. Cambridge University Press,
New York, v. 4, 1989. 828 p.
United States of America Navy Department, Library and Naval War Records.
"Memorandum Concerning Matthew Calbraith Perry, U.S.N.". Disponvel em:
[http://www.history.navy.mil/library/special/perry_openjapan1.htm]. Acesso em:
19/03/2010.
YAMAMURA, K. et al. The cambridge History of Japan. Cambridge University Press,
New York, v. 3, 1990. 711 p.
YAMASHIRO, J. Jap€o passado e presente. Ibrasa, S€o Paulo, 1986. 301 p.
YAMASHIRO, J. Pequena hist„ria do Jap…o. Revista dos tribunais, S€o Paulo, 1950.
185 p.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

23/06/2010 09:39 Solidão contente

Recebi por email da Mirella.

O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas
Ivan Martins

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.
Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.



Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.