Elas ganham espaço no trabalho, mas precisam se esforçar mais do que os homens para ocupar cargos altos, diz estudo da UnB
| Fotomontaqem - Virginia Soares/UnB Agência |
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A mulher não precisa ser tão boa quanto o homem para dirigir uma grande empresa. Ela precisa ser melhor. É o que confirma a dissertação de mestrado Diversidade no Trabalho: os desafios em ser mulher em uma organização financeira, defendida pela administradora Gardene Souza de Aguiar na pós-graduação do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB).
Gardene entrevistou um grupo de mulheres de um banco público de Brasília, e percebeu que algumas delas se sentem discriminadas dentro de um ambiente financeiro, local ainda de domínio masculino. O estudo, orientado pelo professor Marcus Vinícius Soares Siqueira, foi defendido em junho de 2007.
NA DIREÇÃO - Mesmo com tanta dificuldade, a situação das mulheres nessas instituições está melhorando. É o que dizem as próprias funcionárias. O percentual delas em cargos executivos ainda é pequeno, mas vem crescendo. “As mudanças acontecem de maneira muito lenta. Atualmente, três das 31 diretorias do banco são ocupadas por mulheres. Dez anos atrás não havia nenhuma”, destaca a pesquisadora.
Participaram do estudo 20 funcionárias. Todas têm mais de 14 anos de casa – com exceção de uma, que trabalha na empresa há apenas cinco anos. De acordo com a administradora, o longo tempo de serviço legitima as opiniões dessas mulheres sobre a organização. “Elas já puderam viver e ver muitas coisas ali dentro”, comenta. As participantes compunham dois grupos: o das analistas e o das gerentes.
Todas as entrevistadas concordam que precisam provar que são melhores do que os homens. “Nós verificamos que, para uma mulher ter sucesso em uma organização financeira, ela precisa mostrar dia a dia que é muito competente, mais que seus colegas homens. Estar no mesmo nível que eles simplesmente não basta”, considera Gardene. Por isso, elas acham que seu comprometimento com a organização é maior do que o dos homens.
OPINIÕES DIVERGENTES - E a pesquisa mostrou que as analistas e as gerentes têm percepções diferentes quanto às discriminações ocorridas no local de trabalho. “Várias analistas presenciaram ou sofreram discriminação na organização”, afirma a pesquisadora. Muitas relataram que isso acontece de maneira velada, em situações que envolvem comentários maldosos ou insinuações que diminuem o valor da mulher. A percepção das gerentes é um pouco diferente. “Algumas nem sequer chegaram a presenciar essas situações e não se sentem vítimas de preconceito”, afirma.
A administradora acredita que as gerentes podem, de fato, nunca ter presenciado ou sofrido qualquer tipo de discriminação, mas desconfia que, por ocuparem um cargo de gerência, elas tenham confundido, durante as entrevistas, seu papel como mulher e como porta-voz da empresa. “Todas as entrevistas foram feitas no próprio banco. Isso pode ter influenciado as respostas”, justifica.
Mesmo sabendo que têm menos chance de promoção que seus colegas do sexo masculino, o comprometimento delas com o trabalho é grande. Talvez por isso elas se envolvam tanto. E a dedicação que a própria vida exige da mulher – o cuidado com a casa e com a família – se repete na vida profissional.
Sobre o fato de trabalharem em um banco, elas afirmam que é um desafio. Em certos tipos de instituições, como hospitais ou escolas, as mulheres não sentem um preconceito tão grande. Mas em uma organização financeira, historicamente dominada por homens, a situação é diferente. Os bancos requerem dos funcionários um perfil mais técnico, mais agressivo. “Eles precisam impor suas opiniões em mesas de negociação, é um comportamento que costumamos atribuir ao homem”, conclui.
(Do site da UnB)


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